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Infraestrutura: “Margem de lucro do produtor está cada vez mais espremida”, diz Tereza Cristina

07/04/2019

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Em discurso na abertura do seminário “Perspectivas do Agronegócio 2019”, em Campo Grande, a ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) ressaltou nesta sexta-feira (05) que um dos grandes problemas do produtor brasileiro é o alto custo da produção, agravado por problemas de infraestrutura. Ela disse que, nos últimos cinco anos, a margem de lucro dos produtores rurais brasileiros ficou cada vez mais espremida, porque o país não tem como competir com países que têm infraestrutura de escoamento de produção muito melhor que a brasileira.

“Estamos a cada dia perdendo um pouco mais na competitividade”, disse ela. “Se você olhar os custos de produção dos últimos cinco anos, vai ver que a margem do produtor está cada vez mais espremida. Por vários motivos. Primeiro, a infraestrutura: nós não temos como competir com países que já estão prontos, como os Estados Unidos, que já têm portos, ferrovias, hidrovias, rodovias, só têm de fazer melhorias. A Argentina tem uma geografia muito melhor que a nossa, pois o país é comprido, é muito mais fácil atingir os portos do que no Brasil, com essa dimensão continental que nós temos. Tudo aqui é mais complicado, mais caro, e nós precisamos cuidar muito de nossos custos de produção”.

A ministra disse que no Ministério da Agricultura está trabalhando muito para melhorar essas condições no Brasil, principalmente nas negociações para o Plano Safra 2019/2020, que será anunciado em breve. Tereza Cristina disse, porém, que o produtor rural brasileiro precisa “começar a abrir a cabeça” para a abertura dos mercados do país para o mundo.

“Nosso ministro da Economia (Paulo Guedes) é um liberal, e ser liberal é proteger nossos mercados, mas também abrir a nossa economia para o mundo. Nós não podemos continuar pensando que exportamos 80% do que produzimos de soja para a China e que a China não vai pedir uma contrapartida para nós, num produto que ela queira mandar para o Brasil”, explicou a ministra. “As coisas funcionam numa mão dupla. Nós temos que pensar que o mercado não vai poder ficar fechado a vida toda”.

Ela disse que algumas cadeias produtivas precisam “fazer o dever de casa” e melhorar suas condições estruturais, para melhorar a competitividade. Citou a do leite como exemplo.